Decidi fazer um post meio que fora do escopo principal aqui, no blog, para justificar o que pode ser muitas vezes, um mal entendido que vive acontecendo em minha vida.

Preciso confessar que sou um pouco sistemático em relação a alguns assuntos. O principal deles é a pontualidade — ou a falta dela.

Nenhum atraso é justificável sem prévio aviso. Não importa o motivo, não importa a causa. Sempre temos a mão um telefone celular (o Brasil já supera a marca de mais de 1 celular por habitante). Temos SMS, ligações (normais e a cobrar), e-mails, MMS. Uma infinidade de motivos para avisar um possível atraso. Óbvio que para toda regra existe sua exceção.

Raramente me atraso para compromissos (exceto se por um motivo excepcional), por um fato que me aconteceu há muito tempo, enquanto ainda cursava o então chamado “ensino primário” (é, estou velho).

Na quarta série do primeiro grau, a então professora que tive foi uma das pessoas que mais me ensinou nessa vida em relação a respeitar e ser respeitado. Em uma sequência um tanto que falha, cheguei intermitentemente durante duas semanas atrasado em sua aula. Eu ficava na quadra, jogando basquete com muitos de meus amigos (a maioria deles era mais velha).

Na última vez que me atrasei para sua aula, quando pedi licença para entrar, ela disse que eu ficasse ali, em pé, ao lado da porta (que foi fechada) antes de entrar. Então ela se levantou, pediu silêncio para a classe e me deu uma lição de moral inesquecível. Disse ela (não exatamente com estas palavras que, dada a época do fato, posso não ser preciso):

Daniel, pode entrar em minha aula sim, mas tenho notado você disperso e sempre atrasando. Sabe o que é o atraso pra mim? É falta de respeito.

Uma pessoa que se atrasa sem avisar está demonstrando o quanto de respeito sente pela pessoa que estava a esperando: nenhum. Na minha opinião, você não me respeita mais. Você prioriza seja lá o que lhe atrasa do que minhas aulas. Pode se atrasar, desde que avise em sinal de respeito a mim e aos seus colegas, que também param seus afazeres para prestar atenção em quem acaba de chegar: você.

Pedi desculpas, ia me retirar (muito chateado, confesso) e ela me chamou: “— Você pode entrar, pode se sentar, estudar e até se atrasar novamente, desde que você me avise”.

Pela ótima educadora que foi, tomei aquilo como lição de vida. Por isso tenho problemas com gente que se atrasa sem avisar. Todos têm o direito do atraso, não me importa o motivo, de verdade. Basta dizer: “não irei conseguir chegar a tempo. Me dê mais X minutos”.

E não estou dizendo que ela estava certa ou errada. Estou dizendo que a lição foi aprendida pro resto da vida e, não só abomino esperar as pessoas, como também não gosto de que as pessoas me esperem.

Resumindo: se for se atrasar, avise. Se for possível, dê uma estimativa de quanto será o atraso, desde que o atraso não seja multiplicado pelo fator CRAR[1] (piada interna para os ex-amigos de trabalho do UOL :D)

_[1] CRAR: Coeficiênte Randômico de Atraso do Rocha[2] (se não me falha a memória). [2] Rocha: Abraço! :D _