tl;dr: eu realmente não me arrependo de nada que fiz profissionalmente até agora. E a felicidade é algo exponencial :)


Pouco mais de um ano atrás eu estava feliz. Três anos e meio atrás também. Quatro anos atrás também. Sete também, e muito.

Em 1998 eu me lembro de ter lido em algum lugar o seguinte:

Não se arrependa de nada que você fez, mas sim, do que deixou de fazer.

Isso meio que virou meu mantra.

Na situação, eu trabalhava na área de T.I. de uma indústria da cidade de Nova Odessa (que era uma das maiores multinacionais de automatização industrial do mundo), vizinha da minha cidade natal, Americana. Eu soube que iam terceirizar a área toda pra IBM e eu seria contratado.

Nessa mesma época, havia recebido o convite pra trabalhar nos Estados Unidos. O ano era de 2002, acho (sou péssimo com datas). Eu ia programar coisas pra simuladores de vôo de uma grande cia. aérea. Eu poderia ir pra fora, ou ficar e virar funcionário da IBM. Ser feliz lá, ou aqui. Escolhi ficar.

Então a área foi terceirizada e eu não fui pra IBM. Mas ouvi que “era muito importante que eu ficasse na empresa”, pelo conjunto de habilidades que eu tinha.

Eis que em 2007, conversando com um grande amigo, pedi que ele me indicasse pra ir trabalhar no UOL. Ele me indicou, andei de metrô, me perdi, conheci aquele lugar intimidador pra um garoto caipira. Fiz as provas, passei e me mudei. Eu não cabia em mim. Eu, trabalhando no UOL. Como assim? Is this real life?

A felicidade era gigantesca, até que resolvi participar desse negócio que nunca tinha ouvido falar, chamado “Hackathon”. Isso deu uma grande visibilidade pro pessoal da equipe e cada um trilhou seu caminho. Eu acabei indo pro R7.

Seis meses depois, fui pro iG, onde trabalhei por mais três anos. A cada passo que dei, no final de cada ciclo, tinha apenas uma certeza: que tudo que fiz até aquele ponto havia me deixado feliz.

Depois de pouco mais de três anos no iG, recebi a proposta pra ir trabalhar na Netshoes. E não aceitei.

Alguns meses depois, o contato veio novamente. E então pensei: vou lá ver qual é. Foi então que conheci o trabalho, conheci o desafio e aceitei.

Pela primeira vez, achava que havia me arrependido por algo que eu havia feito. Sair do iG e ir pra Netshoes. De tudo que havia sido prometido pra mim, poucas coisas eram reais. Eu realmente estava infeliz com a maneira que o trabalho era feito ali, mas ao mesmo tempo, eu percebia que ~80% do pessoal da minha área também estava assim, e todos sabiam de uma forma ou de outra, como poderiam melhorar. Foi então que eu resolvi apostar.

Desde que entrei, sempre embasado em dados, eu tentei mostrar o quão errado estavam as coisas dali, e via que o pessoal era bastante receptivo com mudanças.

Logo que entrei, quando descobri que ainda era usado SVN, eu sugeri GIT. Mostrei as vantagens, mostrei o GitHub, o pessoal entendeu e resolveu apostar comigo. Em algumas semanas, toda a nossa base de código estava no GitHub. Hoje, todos trabalham de forma natural com o fluxo de desenvolvimento de Git, com as branches, pull-requests e code reviews e issues.

Em meio a essa mudança, eu percebia que cada pessoa estava com pelo menos quatro projetos. E cada projeto levava MESES pra que tivesse algo apresentável (eu mesmo trabalhei mais de nove meses em um projeto que, não fazia sentido algum, durar mais do que dois). Pra mim ficou claro que precisávamos ter bem mapeado onde estavam os problemas, e comecei a sugerir que adotássemos scrum.

Scrum não é a resposta para todo fluxo falho de desenvolvimento, mas com ele, conseguimos ter certeiramente diante de nossos olhos onde está a falha no processo todo. E eis que hoje trabalhamos com scrum. Foi então que começou uma movimentação legal na empresa. Começamos a contratar profissionais de um perfil mais certeiro. Começamos a formar uma equipe homogênea.

Acredito também que scrum tem um prazo de validade. Até que toda a equipe tenha maturidade e disciplina suficiente pra seguir sem precisar de imposições. Aqui tem um texto sobre scrum ótimo escrito pelo querido Jean Carlo Emer.

Hoje, temos velocidade de desenvolvimento, estamos cada vez mais lapidando nosso processo de desenvolvimento, o time cresceu aproximadamente 4x (vale ressaltar: eu realmente não acredito que a quantidade de pessoas no time seja fato diretamente relacionado com sucesso, mas veja bem, nós não tinhamos designers, arquitetos de informação nem programadores no time de User Experience. Na verdade, não tinhamos um time de User Experience), ainda estamos contratando e eu não me lembro de ter estado tão feliz na minha vida profissional.

E pelo andar da carruagem, 2015 vai aumentar a barrinha de XP dessa história toda :)

Hoje, se tem uma coisa que sou grato e feliz, foi que minha ida pra IBM não deu certo.