Quanto mais me interesso pelo assunto humano por trás do desenvolvimento, mais padrões eu consigo perceber. Eu sou desses que fica procurando padrões pra tentar melhorar ou otimizar as coisas.

Exemplo: num episódio do ZOFE com o Marcel Duran, ele comentou da maneira com que ele procura sempre otimizar o caminho dele de um ponto até o outro. Eu faço a mesma coisa, por exemplo, no metrô. Sei que se eu entrar na porta X da estação Vergueiro, saio de frente pra porta Y na estação Paraíso, que vai me deixar em frente a escada rolante na estação Brigadeiro. Assim por diante.

Voltando, eu percebi que a galera da comunidade de desenvolvimento web brasileira (ao menos com desenvolvedores front-end) tem uma necessidade ABSURDA de ter ídolos. De ter nomes de expressão. CALMA, CARA!

CALMA, CARA!

Quando isso acontece, a gente carece de referências, começa a despertar o sentimento de “sempre esses caras?” e começa a fazer listas de “top desenvolvolvedores da fadiga humana” (sim, esse capítulo da história realmente me perturba).

Óbvio que existem profissionais de expressão, mas isso aqui é um mercado de desenvolvedores, não de rockstar-jedi-samurai-ninja. PAREM COM ISSO.

Eu percebo que isso acontece em raros setores. Por exemplo: quando eu cantava numa banda de death metal, a gente tocou com bandas que eu amava, os caras eram ídolos. E o mais foda de dividir palco com essa galera, é apertar a mão, tomar uma juntos e não ficar idolatrando.

Repare que a comparação é de membro de banda pra membro de banda. Que é o que somos: programadores; de programador pra programador.

OK, mas o que fazer?

Eu gostaria que esses ícones fossem humanizados novamente. Gostaria que esses ídolos (vocês sabem quem são) compartilhassem mais as merdas que eles fazem.

Essa semana, recebi um Pull Request no ZOFE que me fez pensar o seguinte do autor: eu sempre vejo esse cara nos encontros do FEMUG-SP, cara calado, na dele. Quando vi o código que o cara fez, sério. Eu queria inventar uma vaga na Netshoes (onde trabalho) pra contratar ele. NA HORA. E o código dele era muito melhor do que metade dos palestrantes por aí (incluindo o meu). E o cara estuda economia, programa por hobbie.

(╯°□°)╯︵ ┻━┻

Eu poderia mandar aqui um clássico: “agora você vai lá, faz isso, depois aquilo, depois ganha uma estrelinha minha no caderno”, mas sou completamente contra dizer o que as pessoas devem fazer. Então apenas reflita no seu posicionamento. Admirar o trabalho do próximo não é, exatamente, colocar a pessoa em um altar.

Enfim. Somos todos iguais. NINGUÉM é melhor que ninguém, tirando o Igor que é meu chefe.

ASPIRATIONAL from Matthew Frost on Vimeo.


Referência enviada pelo Lucas Mazza: Burn Your Idols [1] [2]

[1]: o título é igual, eu com certeza devo ter visto e me influenciado, mas juro que foi uma coincidência bizarra)

[2]: é fantástico ver que estamos passando aqui o que a galera já passou por lá. bora errar novos erros, galera 😜